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Nova Zelândia recebe estreia histórica da WSL

Etapa histórica em Raglan marca novo momento da temporada

Depois da perna australiana, a World Surf League apresenta uma das mudanças mais esperadas de 2026 com a estreia da Nova Zelândia na elite. Pela primeira vez na história do Championship Tour, o país recebe uma etapa oficial, com Raglan como palco principal — mais especificamente o icônico pico de Manu Bay.

A escolha carrega peso histórico. Raglan ganhou projeção mundial ainda nos anos 1960, eternizada no filme clássico The Endless Summer, e desde então é considerada uma das ondas mais longas e técnicas do planeta. Diferente do que muitos imaginam, o destaque ali não são direitas comuns na Oceania, mas sim esquerdas longas e contínuas, que podem permitir múltiplas manobras em uma única onda quando as condições encaixam.

Mas a mudança não é só estética — é competitiva. A etapa marca um ponto de virada no campeonato, onde o ranking começa a se consolidar e cada resultado passa a ter impacto direto na corrida pelo título mundial.

Ranking esquenta: Medina lidera e Brasil domina também no feminino

O Brasil chega com protagonismo total nesse momento da temporada. No masculino, Gabriel Medina lidera o ranking mundial após uma sequência consistente de resultados na Austrália. Mesmo sem depender apenas de vitórias, ele tem somado pontos importantes etapa após etapa, o que o coloca no topo em um formato que valoriza regularidade.

Logo atrás, nomes como Yago Dora, Filipe Toledo e Ítalo Ferreira seguem pressionando e mantendo o Brasil como principal força do circuito.

No feminino, o cenário é ainda mais marcante. Luana Silva também aparece como líder do ranking, consolidando uma fase histórica para o surfe brasileiro. Além disso, sua presença na etapa da Nova Zelândia reforça outro dado importante: é a primeira vez que o Brasil compete no CT em território neozelandês também no feminino.

Isso amplia o peso da etapa e coloca o país em evidência nas duas categorias.

O pico: esquerda longa, técnica e imprevisível

Raglan, especialmente em Manu Bay, oferece uma onda  diferente das etapas anteriores. Aqui, nas linhas longas de esquerda, o atleta precisa construir a pontuação ao longo da onda.

É um tipo de condição que exige:

  • Leitura precisa desde o drop
  • Conexão entre múltiplas seções
  • Controle de velocidade ao longo de toda a parede

Ao mesmo tempo, o pico não é previsível. Mudanças de vento, maré e direção de swell podem alterar completamente o comportamento da onda ao longo do dia.

Previsão: boas ondas, mas com bastante variação

As previsões para a janela do evento indicam swell consistente vindo do sudoeste, com ondas de tamanho médio, podendo crescer em dias específicos. No entanto, o principal fator segue sendo o vento.

As manhãs tendem a apresentar melhores condições, com vento mais fraco ou terral, favorecendo ondas mais limpas e conectadas. Ao longo do dia, a tendência é de entrada de vento lateral ou maral, o que pode quebrar a formação das ondas e dificultar a execução de manobras e linhas precisas.

Na prática, isso transforma a etapa em um jogo de timing. Muitas baterias podem ser decididas por poucas ondas realmente boas, exigindo paciência e estratégia.

Mateus Herdy: evolução real e chance de afirmação

Entre os brasileiros, Mateus Herdy — atleta da família Brazinco — chega em um momento importante da temporada. O catarinense vem de seu melhor resultado no ano, no Gold Coast Pro, onde mostrou evolução clara no jeito de competir.

Ele começou a etapa passando pela primeira fase e ganhou confiança ao longo do evento. Um dos momentos-chave foi a vitória ainda no início da competição, construída com virada nos minutos finais e escolha precisa de ondas — um ponto que vinha sendo crítico em etapas anteriores.

Nas fases seguintes, manteve o ritmo e chegou até as quartas de final, registrando um de seus melhores somatórios no circuito. Em uma das baterias mais sólidas, passou dos 14 pontos, incluindo uma nota na casa do excelente, mostrando capacidade real de competir com a elite.

Mais do que os números, o que chamou atenção foi a mudança de postura. Herdy, contra grandes nomes do circuito, passou a administrar melhor prioridade, escolher ondas com mais critério e controlar o ritmo da bateria — exatamente o tipo de ajuste que faz diferença em um pico como Raglan.

E isso é central aqui. A esquerda longa da Nova Zelândia exige construção de linha e consistência ao longo da onda, não apenas impacto em uma manobra isolada. É um cenário que pode favorecer o momento atual do brasileiro, desde que ele mantenha esse nível de leitura.

Brasileiros seguem como força dominante

Mesmo em um ambiente mais técnico e instável, o Brasil continua sendo a principal referência do circuito. Além de Medina na liderança, nomes como Yago Dora, Filipe Toledo e Ítalo Ferreira seguem aparecendo com frequência nas fases decisivas.

Essa variedade de estilos do time brasileiro pode ser um diferencial importante em Raglan, onde não existe um único caminho para vencer — mas sim múltiplas formas de interpretar a onda.

Feminino: etapa pode consolidar liderança de Luana

No feminino, a etapa tem peso ainda maior. Com Luana Silva liderando o ranking, Raglan pode funcionar como um ponto de consolidação dessa posição.

O tipo de onda favorece surfistas que conseguem manter ritmo e conectar manobras, mas também pune erros de escolha. Em baterias com menos oportunidades claras, a tomada de decisão passa a ser determinante.

Isso tende a gerar disputas equilibradas, onde a diferença muitas vezes aparece na segunda ou terceira melhor onda.

Um verdadeiro teste de leitura e estratégia

A etapa da Nova Zelândia não é sobre quem executa a manobra mais radical, mas sobre quem consegue entender melhor o mar. Entre vento, maré e ondas longas que exigem construção, o desafio é completo.

Com líderes brasileiros nas duas categorias e nomes em ascensão como Mateus Herdy ganhando confiança, o país chega novamente como protagonista.

Mas, em Raglan, isso por si só não garante nada. Aqui, vence quem consegue transformar leitura em resultado.

Fotos: WSL, Cory Scott e Beatriz Ryder.

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