A World Surf League finaliza sua perna australiana com o Bonsoy Gold Coast Pro Presented by GWM, terceira etapa da temporada 2026, agora naGold Coast. Depois de uma abertura dominante em Bells Beach — vencida por Miguel Pupo — e de uma etapa intensa em Margaret River, conquistada por George Pittar, o circuito chega a um dos palcos mais tradicionais e técnicos do surfe mundial, com o Brasil novamente no centro das atenções.
A Brazilian Storm mantém forte presença no topo do ranking em um tipo de onda que historicamente favorece o surfe brasileiro.
Gold Coast: história, tradição e perfeição de point break
O Gold Coast Pro é uma das etapas mais icônicas da história do circuito mundial. Tradicionalmente disputado em Snapper Rocks, o evento representa o auge do surfe de alta performance em ondas perfeitas de direita, longas e manobráveis.

Com raízes que remontam aos anos 1970, a etapa já consagrou nomes como Kelly Slater, Mick Fanning e Gabriel Medina, além de brasileiros como Filipe Toledo e Ítalo Ferreira, que já venceram no pico.
Após mudanças recentes no calendário, o evento voltou ao Championship Tour e mantém sua essência: ondas longas, rápidas e com múltiplas seções, ideais para combinações de manobras progressivas e leitura de linha refinada.
O pico: velocidade, fluidez e precisão
Diferente de Margaret River, onde a exigência é mais na força e no controle em ondas pesadas, o Gold Coast pede um outro tipo de leitura. Em Snapper Rocks, o jogo muda: são direitas longas, rápidas e com várias seções conectadas, que permitem ao surfista construir a onda inteira, do início ao fim. É aquele tipo de condição que favorece quem tem fluidez, consegue manter velocidade e encaixar manobras em sequência — seja com rasgadas fortes ou aéreos bem executados. No fim das contas, é uma onda que valoriza ritmo, criatividade e consistência, um cenário que combina muito com o estilo de nomes como Yago Dora, Mateus Herdy e Filipe Toledo.
Previsão das ondas: boas condições, mas dependentes de janela
A previsão para o Bonsoy Gold Coast Pro indica um cenário mais clássico e favorável do que Margaret River, mas ainda assim sensível a variações. A janela do evento, entre 1º e 11 de maio, deve contar com ondas de médio porte e boa formação, especialmente nas primeiras horas do dia, quando os ventos tendem a soprar terral ou fracos.
Os modelos apontam para um padrão típico da região: swell moderado, com ondas na faixa de 3 a 5 pés na maior parte dos dias, podendo subir em momentos específicos. O principal desafio não será o tamanho, mas sim a consistência — já que períodos menores de swell podem gerar ondas mais espaçadas, exigindo paciência e leitura de bateria.
Outro fator determinante será o vento. Ao longo do dia, a tendência é de entrada de vento lateral ou maral, o que pode comprometer a qualidade das paredes e tornar as seções menos previsíveis. Isso cria um cenário estratégico: as melhores performances tendem a acontecer nas primeiras baterias do dia, enquanto as sessões da tarde podem exigir adaptação e maior controle.
Yago Dora: encaixe perfeito no tipo de onda
Entre os brasileiros, Yago Dora aparece como um dos nomes mais perigosos da etapa. Seu surfe moderno, com forte uso de borda e repertório aéreo, se encaixa perfeitamente nas direitas longas do Gold Coast.
Após um início sólido de temporada — incluindo final em Bells Beach —, Yago chega com confiança elevada e cada vez mais consistente em diferentes tipos de condição, o que o coloca como candidato real ao título da etapa.
Mateus Herdy: oportunidade em onda mais “solta”
Mateus Herdy também ganha um cenário mais favorável em comparação a Margaret River e Bells. Se na etapa anterior o mar pesado exigia mais controle, no Gold Coast ele encontra um ambiente mais propício para seu surfe progressivo e agressivo.

A chave para Herdy será transformar intensidade em consistência, aproveitando melhor as ondas com potencial de nota alta e evitando erros em baterias geralmente decididas por detalhes.
Feminino: alto nível em ondas perfeitas
No feminino, a etapa promete alto nível técnico, já que o tipo de onda favorece performances progressivas e combinações de manobras.
Nomes como Caitlin Simmers, Molly Picklum e Caroline Marks chegam fortes, enquanto Luana Silva, que faz uma ótima temporada, representa o Brasil em uma chave extremamente competitiva.
Baterias iniciais – Masculino

Round 1:
- Yago Dora x Jackson Bunch x Edgard Groggia
- Ethan Ewing x João Chianca x Jordan Lawler
- Ítalo Ferreira x Liam O’Brien x Julian Wilson
- Barron Mamiya x Seth Moniz x Deivid Silva
- Miguel Pupo x Matthew McGillivray x Alejo Muniz
- Rio Waida x Cole Houshmand x Samuel Pupo
- Filipe Toledo x Griffin Colapinto x Ian Gouveia
Baterias iniciais – Feminino
Round 1:
- Caitlin Simmers x Luana Silva x Stephanie Gilmore
- Molly Picklum x Erin Brooks x Nadia Erostarbe
- Gabriela Bryan x Bella Kenworthy x Sophie McCulloch
- Isabella Nichols x Lakey Peterson x Sally Fitzgibbons
- Tyler Wright x Brisa Hennessy x Vahine Fierro
- Caroline Marks x Sawyer Lindblad x Bettylou Sakura Johnson
Um evento chave na temporada
O Bonsoy Gold Coast Pro representa uma mudança clara de leitura dentro da perna australiana. Se Margaret River exigiu potência e resistência, o Gold Coast pede fluidez, precisão e inteligência competitiva.
Para os brasileiros, especialmente Yago Dora e Mateus Herdy, é uma oportunidade estratégica: um tipo de onda onde o repertório técnico pode fazer a diferença — e onde o Brasil historicamente já mostrou que sabe dominar.
Fotos: Divulgação WSL
